domingo, 24 de fevereiro de 2008

A IMPORTANCIA DA HISTÓRIA DA MÚSICA NO CURSO DE FILOSOFIA DA ARTE

Portinari


A História da Música se confunde com a própria história do desenvolvimento humano, já que é a forma mais primitiva de arte e é anterior a qualquer tipo de comunicação entre os homens por expressar emoções humanas que, às vezes, não são possiveis por palavras.


A música existe na natureza, por exemplo, o canto dos pássaros, a correnteza das águas, o sussurar do vento, o crepitar das chamas, o choro ou a risada, logo é um fenomeno natural e universal, tem existência autonoma, fazendo parte do processo da criação, pois dá significado a uma essência, tendo como caracterísca a poesia expressa por sons.


Para Shoppenhauer, conhecido pelas suas idéias pessimistas, a música tem um papel importante, pois, argumenta ele, há uma dialética entre o ouvinte e a música, isto é, o ouvinte não recebe a música como mensagem dirigida a todos, mas se identifica com ela, reconhecendo que na própria desgraça pode haver um sentimento profundo, o que equivale a racionalizar as dores e, ao mesmo tempo, aliviá-las, por meio da música.


Para Bono, a música é “a arte de manifestar os afectos da alma, através dos sons”, isto é, tendo em vista que os sons têm o poder de enleio, de vibrar o corpo e modificar o mundo ao seu redor trazendo à tona o subjetivo, desvela lembranças boas ou ruins provocando alivio ou sofrimento ao ouvinte.


Como disciplina acadêmica, a história da música se insere na historia da arte e no estudo da evolução cultural dos povos, visto ser uma atividade artística essencialmente humana e possibilita compartilhar emoções e sentimentos, de acordo com o contexto socio-cultural vigente.
Em 1957 Marius Schneider escreveu: “Até poucas décadas atrás o termo ‘história da música’ significava meramente a história da música erudita européia. Foi apenas gradualmente que o escopo da música foi estendido para incluir a fundação indispensável da música não européia e finalmente da música pré-histórica."


O estudo da história da música não podem ser dissociada do contexto cultural. Cada cultura possui seus próprios tipos de música, com estilos totalmente diferentes, abordagens e concepções do que é a música e do papel que ela deve exercer na sociedade.


Como toda filosofia nasce de um contexto social, político, religioso, enfim cultural, e toda manifestação artística traz no seu bojo as idéias vigentes, seja de âmbito literário e /ou filosófico, a abordagem da História da Música no curso de Filosofia da Arte se mostra oportuna e imprescindível, tendo em vista ser ela uma linguagem universal, humana e estar ligada ao contexto histórico-cultural de cada povo, de cada sociedade.


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REFERÊNCIAS BILBLIOGRÁFICAS
SITES:
WIKIPÉDIA-MÚSICA– Disponivel em
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica#Hist.C3.B3ria_da_m.C3.BAsica
Acessado em 24/01/2008.
A IMPORTANCIA DA MÚSICA NA FILOSOFIA DE ARTHUR SCHOPENHAUER
Disponível em
http://66.102.1.104/scholar?hl=pt-BR&lr=lang_pt&q=cache:f1CKu97ZWM8J:www.ufsj.edu.br/metanoia5/andre.pdf+
Acessado em 24/01/08


domingo, 27 de janeiro de 2008

A EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E A REALIDADE EDUCATIVA


Por: Brigitte Luiza Guminiak

A cada dia percebe-se a crescente necessidade de se pensar uma política pública que vise cuidar dos nossos bens culturais, confirmando as tradições e a preservação dos aspectos físicos e ambientais de forma que dêem suporte à existência de um processo de preservação das práticas culturais e instrumentos de identificação no sentido de valorizar a permanência das mesmas na sociedade local.



Assim, a Educação Patrimonial tem se revelado cada vez mais do maior interesse teórico e prático e a preservação de bens naturais e culturais se justifica para garantir certos direitos universais do ser humano, como: direito às condições materiais e espirituais de sobrevivência, à qualidade de vida, à memória, ao exercício da livre criação e o uso e fruto de bens culturais.



No campo educacional, um adágio popular antigo diz que EDUCAÇÃO VEM DO BERÇO. Nada mais verdadeiro.

É no aconchego do colo familiar que as bases da educação são lançadas, como o respeito pelo outro e suas diferenças, a solidariedade, a valorização da vida presente, passada e futura, enfim os valores morais, religiosos e artísticos que norteiam o desenvolvimento do ser humano de forma completa e integral.



A comunidade escolar tem um papel complementar e seqüencial àquela recebida no lar. Sendo assim, a Educação Patrimonial preconizada na LDB e nos PCNs devem ser somente “adubos à semente já lançada” no seio familiar.



A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96), no seu art. 26 enfatiza que a parte diversificada dos currículos do ensino básico deve observar as características regionais e locais da cultura dessa sociedade, o que abre espaço para a construção de uma proposta de ensino voltada para a divulgação do acervo cultural dos estados e municípios.



Já os Programas Curriculares Nacionais (PCNs) inovaram, pois introduziram a interdisciplinaridade na educação básica mediante a introdução dos chamados Temas Transversais, que deverão perpassar todas as disciplinas escolares. Pelo menos dois desses temas possibilitam o estudo do Patrimônio Histórico, por conseqüência, desenvolver projetos de Educação Patrimonial: o meio ambiente e a pluralidade cultural.



Nota-se que já foram criados espaços normativos (a LDB e os PCNs) para que a escola vivencie experiências capazes de despertar nos alunos o interesse pelo conhecimento e pela preservação de nossos bens culturais.



No entanto, é preciso que as secretarias de educação estaduais e municipais, em parceria com os órgãos de preservação (agencias de cultura, turismo, IPHAN) realizem cursos e atividades pedagógicas que instrumentalizem o professor com metodologia voltada à Educação Patrimonial.
Só assim serão oferecidas condições efetivas para que a comunidade escolar se constitua numa opção de espaço privilegiado para o exercício da cidadania de crianças, adolescentes e jovens mediante o conhecimento e a valorização dos bens culturais que compõem o diversificado e rico Patrimônio Histórico Nacional, começando pelo Patrimônio mais importante para a formação da nossa identidade, a LÍNGUA, pois é com ela que transmitimos as lendas, as músicas, o folclore, os sentimentos nacionais e de amor à Pátria.



Podemos dizer que a Educação Patrimonial deve ter como um dos pilares a preservação, a valorização e o fortalecimento da Língua Portuguesa, nesta acepção, importa aqui, defender também, a trilogia índio, negro e branco, pois foram eles que constituíram o povo brasileiro, enriquecendo a língua que tornou-se comum aos três com a interação de suas culturas.



A nossa Língua Portuguesa (a falada no Brasil) sendo a mistura de relações políticas, culturais, comerciais com outros países, deve ser preservada e respeitada por todos os falantes nacionais como o Patrimônio Cultural que unifica, caracterizando a identidade do povo brasileiro, constituindo-se um elo que liga o passado ao futuro do nosso povo.



Ressalta-se que nós somos o que falamos. Falando, revelamos não só o que “pensamos”, mas também quem somos: nível cultural, posição social, o comportamento diante de situações etc. Enfim, passamos ao outro o nosso modo de ser e ver o mundo pela língua que falamos.



A preservação do acervo literário inicia-se com a divulgação do mesmo, no sentido de fazer-se conhecer quem são os nossos pensadores e literatos, sua importância histórica e o seu legado para com a cultura e formação da unidade nacional. Pois ninguém valoriza o que não conhece.



O professor de Língua Portuguesa e Literatura é importante divulgador do processo sistemático de uma educação patrimonial, por ser fonte primária da Cultura popular e capaz de enriquecer o indivíduo e o coletivo, tornando-se um poderoso instrumento de reencontro do povo com suas origens através das artes literárias. Seu envolvimento no processo de fortalecimento da Cultura, é primordial, diria mesmo, fundamental para a construção de uma postura consciente e ativa no desenvolvimento da cidadania e da Cultura.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


1- REVISTA DO PATRIMONIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL– CIDADANIA - Brasília. IPHAN, nº. 24, 1996.

SITES:
1- ORIÁ, Ricardo. Educação Patrimonial - conhecer para preservar.
Disponível em
http://www.educacional.com.br/articulistas/articulista0003.asp acessado em 13/12/2007.
2 – QUEIROZ, Moema Nascimento. A Educação Patrimonial como Instrumento de Cidadania.
Disponível em
http://www.revistamuseu.com.br/artigos/art_.asp?id=3562
Acessado em 13/12/2007.
3 – COORDENADORIA DO PATRIMONIO CULTURAL DO GOVERNO DO PARANÁ – Educação e Preservação do Patrimônio Cultural. Disponível em
http://www.patrimoniocultural.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=255
Acessado em 13/12/2007.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

NA RELIGIÃO DA ARTE QUAL A DIFERENÇA ENTRE O ARTESÃO E O ARTISTA?





Renoir- Paisagens -Wargemont









Por: Brigitte Luiza Guminiak


Na Idade Média a Igreja utilizou-se da Arte com a finalidade de sacralizar e divinizar o mundo, com a intenção de aproximar o divino à criatura e fazendo crer de se tratar de algo imanente do HUMANO. A dimensão religiosa das artes deu aos objetos artísticos ou às obras de arte uma qualidade de transcendência, chamada por Walter Benjamim de “AURA”, sendo ela uma absoluta singularidade do SER, portanto, IRREPETÍVEL. A obra de arte possuída por uma AURA torna distante o que está perto, porque vai além da realidade, dando-lhe a qualidade da transcendência.


Assim, a origem religiosa transmitida às obras de arte deu-lhe uma qualidade transcendente mesmo quando se distanciaram da religião e se tornaram autônomas.


O artista se faz na transcendência, e com criatividade, em totalidade com o SER. A criatividade aliada à fantasia e à inspiração apreende a intimidade subjetiva do artista, desaguando na execução da obra. Um desaguar de singularidade, que em um segundo momento criativo não se repete. O artista vive dentro de si o assunto ou a obra. Um está contido no outro. Não há como repetir o sentimento, as angústia, as alegrias daquele momento único e inefável, o momento da criação.


O artista não imita a Natureza, antes, liberta-se dela, pois cria uma realidade humana e espiritual, por meio da criatividade, e assim ele se aproxima do Criador.


O sentido novo da obra de arte é expresso pelo artista e a institui como parte da cultura, pois sendo um ser social reflete sobre a sociedade, voltando-se para ela, seja para criticá-la, afirmá-la ou superá-la.


Verifica-se então que o artesão difere do artista, pois aquele concebe à arte um caráter imediatista e mimético visto não extrapolar o pensamento de si, separando o interior do exterior, numa visão do “eu” separado da arte, e inconscientemente, questiona esse fato, vez que, para ele a obra é mera “thécne” , sem poiesis, simples imitação da Natureza, logo, desprovida de transcendência, já que domina a “thécne” destituída da “poiesis”, da transcendência, da aura singular que reveste o momento criativo.


A “thécne” do artesão pode se constituir num “perigo supremo”, segundo Heidegger, haja vista propiciar o ocultamento do SER, levando a que o homem não encontre a sua face na obra, a sua essência, mas apenas o desvelamento da “thécne”. Esse perigo pode ser evitado se se unir “thécne” e “poiesis”.


O que caracteriza a obra de arte e a diferencia de uma produção artesã é a capacidade de fazer aparecer a verdade e não unicamente uma imitação da natureza, visto que o artista revela por meio da obra de arte aquilo que o mundo tem de primordial.


O artista se vale do material para revelar a verdade já contida no material, para o artesão, esse processo não ocorre, pelo fato do imanente não se encontrar com o transcendente, a thécne não se une à poiesis, o pro-duzir se materializa no mundo exterior, sem envolvimento do mundo interior, de forma prática e desmistificada. Para o artesão não há o SOFRER, O VIVER a obra, somente o FAZER.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1- MELO, Marcelino Peixoto. Tópicos em Artes Plásticas: Leituras e Releituras da Obra de Arte. UFMG, 2003.

2- PRATES, Eufrásio. Passeio Relâmpago pelas Idéias Estéticas do Ocidente.
Disponível em
http://www.geocities.com/Eureka/8979/estetica.htm

3- SERRA, Paulo. O Designe na era da Informação. Universidade de Beira Interior.
Disponível em
http://bocc.ubi.pt/pag/serra-paulo-design-era-informacao.pdf